Uso do 2,4-D será restringido no Brasil em 2019
O Ministério da Agricultura do Brasil sinalizou que os agroquímicos à base de 2,4-D (ácido 2,4-diclorofenoxiacético) enfrentariam restrições em breve no país, à medida que as autoridades passaram a apertar o controle sobre o herbicida amplamente utilizado.
Por Leonardo Gottems, Repórter da Agropages
Marcelo Bressan, auditor fiscal agrícola federal do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), afirmou que o uso de agrotóxicos à base de 2,4-D (ácido 2,4-diclorofenoxiacético) em breve será restrito no Brasil. Ele fez essa declaração durante seu discurso de abertura na 37ª Reunião de Pesquisa de Soja, organizada pela Embrapa em Londrina, Paraná.
“Quanto às restrições ao uso de 2,4-D, as questões mais importantes são criar uma barreira para que um trabalhador possa preparar e aplicar o produto enquanto dirige um trator, e a presença de uma distância de 10 metros entre a plantação e sua borda onde o agrotóxico não pode ser aplicado, bem como uma distância de 500 metros de edifícios. As restrições também obrigam os agricultores a evitar contaminação descontrolada fora das áreas cultivadas por equipamentos utilizados para dispersar o produto,” explicou.
O herbicida 2,4-D é o segundo produto mais aplicado na soja no Brasil, perdendo apenas para o glyphosate, que são a base do sistema de plantio direto amplamente utilizado no país. O estado do Rio Grande do Sul, um dos maiores produtores de soja do Brasil, já está restringindo o uso de 2,4-D devido a vários casos de contaminação fora das fronteiras das culturas.
O primeiro requisito das novas restrições diz respeito às condições de aplicação, bem como ao conhecimento dos riscos e responsabilidades potenciais, como condições climáticas, horário, velocidade do vento, temperatura, umidade e o equipamento adequado. O segundo exige que os agricultores registrem aplicadores e informem sobre suas aplicações e possíveis riscos.
Também é proposto que as empresas criem um fundo no valor de US$ 1,5 milhão para mitigar possíveis danos causados por herbicidas. O orçamento do fundo também poderia ser usado para atualizar estações meteorológicas no estado, coletar resíduos de 2,4-D e facilitar o monitoramento do produto.
Bressan argumentou que o sistema de controle de agrotóxicos estabelecido pela legislação brasileira em 1989 é complexo e possui muitas regulamentações e regras, para garantir a qualidade dos agrotóxicos disponíveis para a agricultura nacional, bem como alcançar uma agricultura sustentável e garantir segurança e competitividade.
De acordo com uma pesquisa do MAPA, 2.053 produtos que controlam problemas fitossanitários da soja estão atualmente registrados, juntamente com 155 agrotóxicos biológicos classificados como tendo baixa toxicidade ou risco ambiental mínimo. “É importante notar que o número de agrotóxicos biológicos registrados nos últimos quatro anos mais que triplicou em comparação com os quatro anos anteriores”, destacou Bressan.
“A legislação é complexa, devido aos riscos potenciais dos agrotóxicos para a saúde humana e o ambiente, causados por suas características toxicológicas e ecotoxicológicas. Além da participação do estado na regulação de agrotóxicos, a participação da sociedade também é importante para as discussões, que estão conflitadas entre a necessidade de mais alimentos e a ideia de proibir o uso de agrotóxicos nas culturas”, acrescentou.
Quanto ao futuro, Bressan destacou algumas propostas de alteração à nova lei de agrotóxicos, que estão sendo discutidas pelo Parlamento Nacional sob a Projeto de Lei 6.299.
“O futuro uso de agroquímicos em culturas de soja, com ou sem a aprovação da nova lei de agroquímicos, exigirá desafios a serem enfrentados pela pesquisa. Pesquisadores e produtores de soja que fazem as recomendações adequadas e serão necessários para ajudar a fazer as melhorias necessárias pela sociedade, o que envolverá maior produção de alimentos e riqueza para o país enquanto cuida do ambiente e da saúde,” concluiu.